Folar de Olhão enrolado . Portuguese sweet Easter bread (Olhão)


Já repararam que a maioria das nossas celebrações acontece à volta de uma mesa? Seja para celebrar vitórias pequenas ou grandes, aniversários ou festas religiosas, ou apenas porque sim, não há comemoração que não envolva a partilha de comida com os que nos são queridos. E esta é uma característica transversal a todos os povos e culturas. Algumas destas celebrações, como o Natal ou a Páscoa, trazem consigo pratos típicos, aqueles que esperamos todo o ano para comer, e na Páscoa isso acontece com o folar. O mais tradicional talvez seja aquela espécie de pão pouco doce decorado com ovos inteiros, mas Portugal é rico em folares dos mais variados tipos, do folar de Trás-os-Montes, recheado com as carnes do fumeiro, até ao folar de Olhão, o mais doce e caramelizado.

A lenda popular sobre a origem do folar fala numa jovem humilde e bonita, que sonhava em casar cedo com um jovem forte e trabalhador. Santa Catarina ouve as preces da jovem e arranja-lhe, não um, mas dois pretendentes, um lavrador pobre e um fidalgo rico. Depois de alguma indecisão ela acaba por escolher o lavrador, o fidalgo promete vingança e a jovem teme pela vida do seu noivo. Uma nova prece a Santa Catarina leva ao aparecimento, subentende-se que por intervenção divina, de bonitos bolos decorados com ovos e flores e que cada um acha que foi oferecido pelos outros em sinal de boa vontade. A história passa-se pela altura da Páscoa e o folar torna-se um símbolo desta época que celebra a amizade e a reconciliação. Este é um resumo mesmo muito resumido desta lenda, que é comprida demais para pôr aqui no blogue mas que podem ler com todos os pormenores aqui

Em muitos países europeus existe também a tradição do pão doce na Páscoa, muito semelhante ao nosso folar. É o caso da Itália, onde é igualmente decorado com ovos inteiros. O pão da Páscoa aparece também na tradição cristã ortodoxa (Bulgária, Rússia, Ucrânia, Roménia). Em todos estes casos, o pão, o alimento historicamente mais importante em todas as culturas, é um símbolo de partilha e está associado às festividades religiosas desta época.

Voltando ao nosso folar, os meus preferidos são o de Trás-os-Montes e o de Olhão, que acabou por ser o escolhido para partilhar convosco neste primeiro dia de Abril. A massa não leva açúcar, pelo que sejam generosos com o recheio, que é o que vai criar o caramelo e uma espécie de calda que deixa o interior húmido e delicioso. É simples de fazer, já sabem que não gosto de coisas complicadas, só exige um pouco de tempo para a massa levedar. E, como prémio para a vossa paciência e dedicação, vão ter um aroma maravilhoso a perfumar a vossa cozinha.

Uma doce Páscoa para todos!


Have you noticed that most of our celebrations happen around a table? Whether celebrating small or big wins, birthdays or religious holidays, or just because, almost all commemorations involve the sharing of food with our loved ones. And this is a something common to all people and cultures. Some of these celebrations, such as Christmas or Easter, have typical dishes, those that you wait all year to eat, and at Easter this happens with “folar”, the Portuguese Easter bread. The most traditional is perhaps the sweet bread, although not very sweet, decorated with whole eggs, but Portugal is rich in Easter breads of all kinds, from the “folar” of Trás-os-Montes, in the northeast of the country, stuffed with smoked meats, to the “folar” of Olhão, in the south, more sweet and caramelized.

The popular legend about the origin of the “folar” tells the story of a humble and beautiful young woman, who dreamt of marring early with a strong and hardworking young man. Saint Catherine hears her prayers and arranges, not one, but two suitors, a poor farmer and a rich nobleman. After some indecision she ends up choosing the farmer, the nobleman promises revenge and the girl fears for the life of her fiancé. A new prayer to Saint Catherine leads to the appearance, it is understood that by divine intervention, of beautiful cakes decorated with eggs and flowers, that each one thinks it’s a gift from the others in a sign of goodwill. The story occurs during Easter and “folar” becomes a symbol of this season to celebrate friendship and reconciliation. 

In many European countries there is also the tradition of sweet Easter bread very similar to the Portuguese “folar”. In Italy is similarly decorated with whole eggs. The Easter bread is also part of the Orthodox Christian tradition (Bulgaria, Russia, Ukraine, Romania). In all these cases, bread, historically the most important food in all cultures, is a symbol of sharing and is associated with the religious festivities of the season.

Returning to the Portuguese “folar”, my favorites are the ones from Trás-os-Montes and Olhão, the later being the one I chose to share with you in this first day of April. The dough doesn’t take any sugar, so be generous with the filling, which is what will create the caramel and a kind of syrup that leaves it moist and delicious inside. It is simple to make, you know I do not like complicated things, just requires some time for the dough to rise. And, as a reward for your patience and dedication, will have a wonderful aroma perfuming your kitchen.

A sweet Easter to all!





Folar de Olhão enrolado

Ingredientes:

500g de farinha tipo 65
25g de fermento de padeiro fresco
1 dl de leite
Sumo de 1 laranja
2 colheres de sopa de aguardente
120g de manteiga
60g de banha
1 pitada de sal
1 colher de chá de erva doce moída

Para o recheio
(podem usar mais ou menos quantidade, é o recheio que determina se o folar é mais ou menos doce e húmido, devido à caramelização)

200g de açúcar amarelo
100g de manteiga cortada em cubinhos
3 colheres de sopa de canela

Preparação:

Dissolver o fermento no leite morno.

Numa taça, misturar a farinha, margarina, banha, sal e erva doce até obter uma massa esfarelada. Abrir uma cavidade no meio e juntar o sumo de laranja, a aguardente e a mistura de leite e fermento. Amassar na batedeira, equipada com o gancho de amassar, durante 5 a 10 minutos.

Moldar uma bola e colocar numa taça untada com um pouco de azeite, cobrir com um pano de cozinha ou película aderente e deixar levedar durante cerca de 2 horas, num local abrigado, até que o volume da massa duplique.

Misturar o açúcar amarelo e a canela para o recheio. Untar uma forma alta, ou panela de alumínio, com cerca de 15 cm de diâmetro com manteiga e polvilhar com a mistura de açúcar e canela.

Transferir a massa para uma bancada polvilhada com farinha e amassar ligeiramente apenas para retirar o ar. Com a ajuda do rolo de cozinha, estender a massa num retângulo. Polvilhar com açúcar e canela e colocar pequenas nozes de manteiga sobre a massa. Dobrar os lados maiores do retângulo para dentro, em direção ao centro, sem sobrepor a massa. Voltar a polvilhar com açúcar, canela e manteiga e voltar a dobrar os lados em direção ao centro. Polvilhar novamente com açúcar, canela e manteiga e enrolar a massa, agora a partir do lado mais pequeno, como se fosse uma torta.

Colocar a massa enrolada na forma preparada, polvilhar com açúcar, canela e manteiga, tapar com um pano ou película aderente e deixar levedar novamente durante uma hora.

Pré-aquecer o forno a 190ºC e cozer o folar durante aproximadamente uma hora. Como os fornos variam entre si, a partir dos 45 minutos de cozedura podem começar a testar com um palito.

Desenformar ainda quente para um prato.



Portuguese sweet Easter bread (Olhão)

Ingredients:

500g all-purpose flour
25g fresh yeast
1 dl milk
Juice of 1 orange
2 tbsp brandy
120g butter
60g lard
1 pinch of salt
1 tsp ground anise

For the filling
(you may use more or less quantity, which determines if the "folar" is more or less sweet and moist, due to caramelization)

200g demerara sugar
100g butter cut into cubes
3 tbsp cinnamon


Method:
Dissolve the yeast in luke warm milk.
In a bowl, mix the flour, margarine, lard, salt and ground anise until you get a crumbly dough. Open a cavity in the middle and add the orange juice, brandy and the mixture of milk and yeast. Knead in the stand mixer, fitted with the kneading hook, for 5 to 10 minutes.
Shape a ball and place in a greased bowl, cover with a kitchen towel or plastic wrap and let rise for about 2 hours, in a place without drafts, until the dough doubles in volume.
Mix the demerara sugar and cinnamon for the filling. Grease  a tall cake pan or aluminum pan of about 15 cm diameter with butter and sprinkle with the sugar and cinnamon.
Transfer the dough to the kitchen counter sprinkled with flour and knead slightly only to remove the air. With the help of a kitchen roll, extend the dough in a rectangle. Sprinkle with sugar and cinnamon and put small walnuts of butter over the dough. Fold the longer sides of the rectangle inward, toward the center, without overlapping the dough. Sprinkle with sugar, cinnamon and butter and fold again the sides toward the center. Sprinkle with sugar, cinnamon and butter and roll the dough, now starting from the short side, like a roulade.
Place the rolled dough into the prepared pan, sprinkle with sugar, cinnamon and butter, cover with a kitchen towel or plastic wrap and let it rise again for one hour.
Preheat the oven to 190ºC and bake the "folar" for approximately one hour. As ovens may vary, after baking for 45 minutes you can start testing with a toothpick.
Remove from the pan to a plate while still warm.







Comments

  1. Olá Paula,

    Eu sou fã do folar de Olhão, é também dos meus preferidos na categoria dos folares doces. Apesar de gostar bastante do tradicional. Também já fiz este folar, foi das primeiras receitas de folar que publiquei no blog e fiquei fã. O sabor, a textura, aquela crosta caramelizada que se forma à superfície... é mesmo delicioso. E o teu tem tudo isso, para além de ter ficado com uma cor linda.
    Adoro celebrações e estou contigo, todas elas andam à volta da comida, e sabem tão bem, não achas?! Eu cá adoro. :)
    Beijinho e votos de uma Páscoa Feliz.

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  2. Adoro Folares salgados ou doces e tal como tu adoro o folar de trás dos montes, todos os anos a minha comadre dá-me essa iguaria e eu perco-me.
    O folar de olhão com todas essas voltas gulosas e tentadoras também é uma perdição que me deixa de água na boca. A textura caramelizada é sem dúvida de perder a cabeça e apelar á nossa gula :)
    O teu ficou lindo, majestoso e perfeito para uma mesa de páscoa.
    Bjns
    Isabel

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