Sarmale com mamaliga / Sarmale with mamaliga



Viajar. Viajar obriga-nos a sair da nossa zona de conforto. Deixar para trás o que nos é familiar e ir ao encontro dos outros, no seu espaço, conviver com os seus modos e costumes. Viajar não é sempre sinónimo de lugares distantes. Mesmo num país do tamanho do nosso, ao andarmos uns quantos quilómetros para os lados, somos muitas vezes obrigados a colocar em perspectiva o que consideramos ser a normalidade, a regra, assim estejamos dispostos a observar e a aprender. Como disse o explorador e escritor brasileiro Airton Ortiz, somos o resultado dos livros que lemos, das viagens que fazemos e das pessoas que amamos. 

No início de Outubro fui a Bucareste numa viagem de trabalho. Foi a primeira vez que estive na Roménia e tive a sorte de poder ficar para o fim de semana. Uma estadia muito curta. Uma boa desculpa para voltar. Em Bucareste, andei essencialmente pelas ruas. Vi pessoas, entrei e saí de igrejas e de cafés. Durante o dia, o centro histórico da “pequena Paris” é tristonho. Muitos dos edifícios são testemunhas da passagem de guerras, terramotos e do longo período de influência comunista. Precisam de alguém que se interesse por eles. Mas à noite o cenário é diferente. Esta é a zona de lazer da cidade. A luz noturna é mais amável para as fachadas e as ruas ficam a transbordar de pessoas que enchem os restaurantes, cafés e esplanadas.


Igreja de Stravopoleos e uma cerveja romena (Ursus) / Stravopoleos church and a romanian beer (Ursus)


No sábado pus-me a caminho da Transilvânia, na região montanhosa dos Cárpatos. Um grupo pequeno de nove pessoas, distribuídas por seis nacionalidades diferentes, um guia falador e uma paisagem deslumbrante. 

Infelizmente, não tive oportunidade para conhecer muito da cozinha tradicional romena. Deixo-vos apenas duas referências que me agradaram bastante: uma salada de beringela grelhada, que é depois pelada e picada finamente e misturada com óleo de girassol e cebola picada (salata de vinete); e estes rolinhos, feitos com folhas de couve lombarda e recheados com carne picada, pão e arroz (sarmale), normalmente acompanhados por polenta (mamaliga) e natas azedas. Tradicionalmente, as cabeças da couve eram guardadas inteiras em conserva, para poderem durar durante todo o Inverno. Atualmente, não há mais esta necessidade e o prato é cozinhado com uma combinação de couve fresca e chucrute.


Castelo de Peles / Peles castle

Castelo de Bran / Bran castle


English version:

Travel. Travel forces us out of our comfort zone. To leave behind what is familiar to us and reach out to others in their own space, get acquainted with their manners and customs. Traveling is not always synonymous of faraway places. Even in a small country, like Portugal, if we go a few kilometers to the sides, we are often obliged to put into perspective what we consider to be normal, to be the rule, if we are willing to observe and learn. As the Brazilian writer and explorer Airton Ortiz once said, we are the result of the books we read, the trips we make and the people we love.

In early October I went to Bucharest on a business trip. It was the first time I was in Romania and I was lucky to stay for the weekend. Though a very short period, it’s a good excuse to come back. In Bucharest, I essentially wandered the streets. I saw people, walked in and out of churches and cafes. During the day, the historic center of the "little Paris" is rather gloomy. Many of the buildings bear witness to the passage of wars, earthquakes and the long period of communist influence. They need someone who takes care and interested in them. But at night the scenario is completely different. This is the recreational area of the city. The night light is kinder to the facades and the streets are overflowing with people who fill the restaurants, cafes and terraces.

On Saturday I made my way to Transylvania in the Carpathian mountain region. A small group of nine people spread over six different nationalities, a lively and communicative guide and a breathtaking landscape.

Unfortunately I had no opportunity to try many dishes of the traditional Romanian cuisine. I leave you with only two references that pleased me a lot: a salad of grilled eggplant, which is then peeled and chopped finely and mixed with sunflower oil and chopped onion (salata de vinete); and these rolls, made with cabbage leaves and stuffed with minced meat, bread and rice (sarmale), usually accompanied by polenta (mamaliga) and sour cream. Traditionally, the heads of cabbage were canned whole, to make them last throughout the winter. Currently, there is no longer this need and the dish is cooked with a combination of fresh cabbage and sauerkraut.




Sarmale 
Serve 4 a 6 pessoas

500g de carne de porco picada
1 colher de sopa de arroz
2 cebolas médias, picadas finamente 
100g de pão, embebido em água
1 couve lombarda
350ml chucrute 
2 colheres de sopa de azeite
150ml polpa de tomate 
Sal e pimenta preta moída a gosto
Natas azedas para servir

Misturar a carne com uma cebola picada, o pão embebido e espremido, o arroz lavado, sal e pimenta.

Separar as folhas de couve e cortar o veio exterior central (com cuidado, tentem não romper as folhas). Levar uma panela de água a ferver e mergulhar as folhas de couve, umas quantas de cada vez, na água quente por 30 segundos, até que fiquem macias.

Colocar uma colher de recheio em cada folha e fazer um pequeno embrulho (enrolar e depois dobrar as extremidades). Se as folhas forem muito grandes, podem cortá-las ao meio.

Picar o chucrute. Se sobraram folhas de couve fresca podem picar também e juntar ao chucrute.

Numa panela grande, colocar o azeite e, em seguida, metade do chucrute, cebola e polpa de tomate. Dispor os rolinhos de couve recheada em camadas. Por cima, adicionar o restante chucrute, cebola e polpa de tomate. Cobrir com água e temperar com sal e pimenta.

Deixar ferver e, em seguida, cozinhar em lume médio-baixo durante aproximadamente 45 minutos. Se necessário, adicionar água de vez em quando para manter os rolinhos cobertos.

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Colocar a panela destapada no forno durante 10-15 minutos, para acabar de cozinhar.

Servir com mamaliga e natas azedas. 


Mamaliga (Polenta)
Serve 6

4 chávenas de água
450g sêmola de milho
Sal a gosto

Num tacho, ferver a água temperada com sal. Reduzir o lume e juntar a sêmola de milho em fio constante. Mexer continuamente com uma colher de pau durante aproximadamente 20 minutos, ou até a mamaliga se despegar facilmente dos lados da panela.

Mamaliga era consumida diariamente nas zonas rurais, em substituição do pão, como acompanhamento das refeições. A mamaliga tradicional é servida com leite morno ou natas azedas. Também podem polvilhar a mamaliga ainda morna com queijo feta ralado e juntar as natas azedas.



Sarmale 
Serves 4-6

500g minced pork meat 
1 tbsp rice 
2 medium onions, finely chopped  
100g bread, soaked in water 
1 cabbage
350ml sauerkraut
2 tbsp olive oil 
150ml tomato pulp 
Salt and ground black pepper to taste
Sour cream to serve

Mix the meat with one chopped onion, the soaked and mashed bread, the washed rice, salt and pepper.

Separate the cabbage leaves and cut the outer middle vein (carefully, try not to break the leaves). Bring a pot of water to a boil and submerge the cabbage leaves, a few at a time, into the hot water for 30 seconds, until they are tender. 

Put a spoonful of the filling in each leaf and make a small package (roll and then tuck in the ends of the cabbage leaf).  If the leaves are very big, you can cut them in half.

Finely chop the sauerkraut. If you have some fresh cabbage left, chop it and add to the sauerkraut.

On a large pot, put the olive oil and then half of the chopped cabbage, onion and tomato pulp. Arrange the stuffed cabbage rolls in layers. On top, add the remaining chopped onion, cabbage and tomato pulp. Add enough water to cover everything.  Season it with salt and pepper.

Bring to a boil and then simmer at medium-low heat for about 45 minutes. Add water from time to time to keep the stuffed rolls covered to the top. 

Preheat the oven at 180ºC. Put the pot in the oven for about 10-15 minutes, to finish cooking. 

Serve with mamaliga and sour cream. 


Mamaliga (Polenta)
Serves 6

4 cups water 
450g ground cornmeal
Salt to taste

Bring to boil the water in a large pot with the salt, then simmer and pour the cornmeal with a steady stream. Stir constantly for about 20 minutes with a wooden spoon, until you notice that the mamaliga breaks away easily from the sides of the pot. 


Mamaliga used to be consumed on a daily basis on the countryside as a side to various meals, mostly replacing bread. Classic mamaliga is served with warm milk or with sour cream. You can also shred feta cheese on top of warm mamaliga and add sour cream. 

Comments

  1. Tem um aspecto delicios. Adoro comida de Leste!

    ______________________
    Ana Teles | blog: Telita na Cozinha

    feedly - bloglovin' - Facebook


    ReplyDelete
  2. Que refeição apetecível e saborosa.
    Faz um prato tão bonito
    Bjns
    Isabel

    ReplyDelete

Post a Comment